Alguns objetos de decoração são considerados obras de arte,  razão pela qual metrópoles mundiais que se prezam contam com Museus de Artes Decorativas, a exemplo do maior e mais completo de todos, o Victoria & Albert de Londres.  Seguramente, em quase todos figuram peças em vidro iridescente da “Johann Loetz Witwe”, das quais Perez & Prado tem a satisfação de apresentar e oferecer a amigos e clientes quatro exemplares:  um par de vasos em matizes ouro, verde e vermelho (26 X 8 cm), um pequeno vaso irisado em ouro, marinho e vermelho (11 X 6 cm) e um “bowl” (tijela) verde oliva com “artérias” cor de vinho (17 X 5 cm).

Pouco se sabe a respeito do mestre vidreiro Johann Loetz e existem duas versões a respeito da fundação da “Johann Loetz Witwe”, assim denominada por Susanne, sua viúva (“witwe”, em alemão).  Na primeira, a vidraria teria sido fundada por Loetz em 1824 na Boêmia, atual Checoslováquia, que integrava, então,  o império austríaco (em 1883, a fábrica foi autorizada e imprimir o selo da Águia Austríaca em suas peças) e cuja propriedade teria sido passada para sua viúva, em 1844.   Em outra versão, mais detalhada e, portanto, mais fidedigna, a fábrica teria sido fundada em Klostermühle, ao sul da Boêmia, em 1836, por Johann Eisner, cujos herdeiros a venderam, em 1849, a Martin Schmid que, por sua vez, a revendeu, em 1851, a Frank Gerstner, cuja esposa, Susanne, viúva de Johann Loetz, a batizou de “Johann Loetz Witwe”, em 1855.

Seja como for, o fato é que, em 1879, Susanne transferiu a propriedade para seu sobrinho, Maximilian von Spaun que contratou o mestre vidreiro Eduard Prochaska.  A partir de então, a vidraria expandiu-se, chegando a contratar mais de 200 artesãos e 15 mestres, dando início à fabricação das famosas e cobiçadas peças em vidro iridescente que a tornariam mundialmente famosa.  Em 1889, participou de exposições em Düsseldorf, Frankfurt e Praga e, em 1900, ganhou o “Grand Prix” na Exposição Universal de Paris.  De inspiração nitidamente Art Nouveau, algumas de suas peças, pela forma despojada e pela palheta de cores, podem, no entanto, ser consideradas de transição para o Art-Déco (1925-1940).

Bibliografia

Loetz Boehmisches Glas, 1880 bis 1940,  Bearb. von Jan Mergl, Helmut Ricke & Ernst Ploil; New York/Düsseldorf 2003/04