Apesar da crescente popularidade dos livros digitais ou e-books, que podem ser baixados da internet e lidos nas telas de equipamentos eletrônicos, existem leitores que sentem um prazer sensual  ao tocar a lombada de um livro, abri-lo e folhear suas páginas, sobretudo se a encadernação for de couro e o papel estiver amarelecido pelo tempo.  Os constantes leilões de livros e a proliferação de sebos, alguns conjuminados com simpáticos bares e cafeterias, comprovam a sobrevivência dessa  atividade, denominada bibliofilia.  Os brasilienses, em especial, têm demonstrado pendor para realizá-la e foi pensando nos bibliófilos locais que Perez & Prado decidiram criar um novo setor, o de livros raros (confira, na seção Peças).

Mas, o que é um livro raro?  Segundo Rubens Borba de Moraes ( O Bibliófilo Aprendiz, Casa da Palavra, 2005, p. 67), “um livro não é valioso porque é antigo e, provavelmente, raro.  Existem milhões de livros antigos que nada valem porque não interessam a ninguém.  Toda biblioteca pública está cheia de livros antigos que, se fossem postos à venda, não valeriam mais que o seu peso como papel velho.  O valor de um livro nada tem a ver com a sua idade. A procura é que torna um livro valioso”.  Com base nesse conceito,  o Tesouro Bibliográfico (1) afirma que “de maneira bastante simplificada, pode-se dizer que um livro alcança o ‘status’ de raridade bibliográfica quando a sua procura excede a oferta, ou seja, é um livro escasso, difícil de ser encontrado”.

Em resumo, um livro torna-se raro principalmente pelo seu conteúdo.  Se você for interessado em história, biografias, romances ou ciências e não encontrar o exemplar do assunto da sua preferência que você está procurando, tal escassez o transformará em um livro raro.  Mas, cuidado. Um livro recém-publicado que se esgote rapidamente não será raro, caso a editora produza imediatamente uma segunda, terceira ou várias edições, visando ao lucro que a venda do produto, que certamente agradou ao público, acarretará.  Raras, por exemplo, sobretudo pela fidedignidade aos textos, são as edições que a Livraria Chardron, de Lello & Irmão, do Porto, lançou das obras completas de Eça de Queiroz, no início do século XX.  Caso seja uma primeira edição, mais rara ainda.

Por outro lado, a edição de época de livros que contêm ideias que influenciaram a história e até mudaram o rumo de civilizações inteiras, torna-se raro, apesar de você não se interessar pelo seu conteúdo ou até dele discordar.  É o caso, por exemplo, de A Riqueza das Nações (1776), de Adam Smith, ou O Capital (1867), de Carl Marx.  A aparência exterior do livro também pode determinar sua raridade, através de encadernações luxuosas que incorporem metais e até pedras preciosas.  A censura, enfim, ao recolher obras já publicadas e proibir-lhes a leitura, contribui decididamente para o desenvolvimento do mercado de livros raros.

Esperamos que nossos amigos e clientes aprovem e prestigiem nossa iniciativa.

(1) http://tesourobibliografico.wordpress.com

Ney Prado 
Curador de Arte e Antiguidades