A arte zulu difere das demais manifestações artísticas tribais africanas pela delicadeza e simplicidade tanto na estatuária, nos adornos corporais, nos quais as composições de miçangas sobressaem, quanto nos objetos rituais, dos quais o casamento é o mais importante. 

Como não têm uma religião específica (acreditam, apenas, em entidades indefinidas), não há representação de deuses, mas de guerreiros e suas mulheres, a exemplo do par de esculturas, que Perez & Prado têm a satisfação de oferecer, do final do século XIX, de palissandro e marfim, com 1 m de altura.  Outro diferencial está na madeira utilizada, ou seja, em lugar do tradicional ébano, o palissandro, que corresponde ao jacarandá brasileiro.

Altos, esguios, elegantes, de traços finos, o que se reflete em sua arte, os Zulus são o principal grupo étnico nativo da África do Sul com 10 a 12 milhões de indivíduos (cerca de 20% da população).  O clã, de origem Bantu, do grupo linguístico Nguni, formou-se no início do século XVII. Cem anos depois, aproximadamente 30 comunidades Nguni foram unificadas por Shaka, rei dos Zulus, que criou o império Mthethua e passou a hostilizar os colonizadores portugueses, ingleses e bôeres (calvinistas holandeses, alemães, dinamarqueses e huguenotes franceses), que disputavam a hegemonia do território.  Em 1843, a República Bôer de Natália foi proclamada colônia inglesa e o conflito com os Zulus acirrou-se.

Períodos de relativa paz, interrompidos por incursões zulus, cada vez mais violentas, levaram agentes britânicos a dar, em dezembro de 1878, um ultimato ao rei Cetshwayo, exigindo a extinção do seu exército e sua rendição à coroa inglesa.  Os termos dos colonizadores não foram aceitos e a guerra anglo-zulu, recriada, em 1964, pelo filme “Zulu” do diretor Cy Endfield, foi deflagrada.  Vitoriosos na primeira batalha de Isandiwana, os Zulus foram subsequentemente derrotados em Rorke’s Drift e, em 4 de julho de 1879, em Ulundi.  Integrados, atualmente, à Africa do Sul, os Zulus gozam de certa autonomia na província de KwaZulu-Natal.  O ex-presidente da África do Sul, Jacob Zuma, que renunciou em fevereiro último, pertence à etnia Zulu.