Perez & Prado, sempre em busca de peças exclusivas e excepcionais, têm o prazer de oferecer duas esculturas de encantadores de serpente, de materiais e origens distintos, mas que representam bem esta arte milenar, praticada, sobretudo, na Índia.

Segundo os biólogos, as serpentes, inclusive as najas, as mais utilizadas no ritual de encantamento, são praticamente surdas. Assim, não são os sons da flauta que as “hipnotiza”, como todos creem, mas os deslocamentos do instrumento nas mãos do encantador e os movimentos do seu torso, bem como os meneios do corpo e dos braços das bailarinas que exercem o mesmo ofício. Mantida em cesto fechado, a serpente, assim que a tampa é retirada, se levanta instintivamente, a fim erguer parte do corpo. Na realidade, considera a flauta, quem a manuseia e a bailarina como ameaças, contorcendo-se, portanto, a fim de se defender e eventualmente atacar. Alguns encantadores passam, ainda, urina de rato na flauta, no intuito de atiçar o faro do animal e mantê-lo focado.

O encantamento de serpentes pode, assim, ser comparado à tourada, onde o toureiro enfurece e provoca as investidas do animal através dos movimentos do corpo e de uma capa, cuja cor vermelha, ao contrário do que se pensa, não é o que o irrita, uma vez que o touro não distingue cores. A diferença está no fato de que as serpentes não são sacrificadas. Contudo, assim como os toureiros, os encantadores também podem se tornar vítimas, a exemplo do que ocorreu recentemente em Mau, cidade ao norte da índia, onde, segundo o portal de notícias “The Independent”, um jovem que tentava “encantar” um píton foi atacado. De acordo com o portal, o socorro demorou, uma vez que os espectadores pensaram que os estertores do encantador faziam parte do espetáculo, até que se deram conta de que ele estava realmente sendo constringido e o libertaram do “abraço” ofídico.