Exposição em homenagem ao

Professor Vicente Perez Carrascosa (Valencia, Espanha, 21/01/1950 – Brasília, 22/09/2016)

e

Comemorativa do 7º aniversário de Perez e Prado Antiquários

APRESENTAÇÃO

A unificação da Itália, que, após  a dissolução do Império Romano do ocidente (476), fragmentou-se em unidades políticas independentes, foi oficialmente declarada em 1861, sob a liderança de Vitor Emanuel II, rei do Piemonte-Sardenha. Contudo, a gradual homogeneização política e econômica da península itálica, que culminou somente em 1929, com a solução da questão dos Estados Pontifícios pelo Tratado de Latrão, foi complexa (1) e  provocou, no final do século XIX, grave crise resultante das guerras de conquista dos territórios independentes,
da confrontação entre o norte industrial e o sul agrícola, onde o sistema ainda feudal de terras foi desmantelado,  e da decadência da produção artesanal. As consequências foram desemprego, pauperização e até fome, o que fez da novel Itália um dos mais pobres e populosos países da Europa.

No Brasil,  o período foi também de turbulência política, marcado por crises artificialmente urdidas por grupos que golpearam a monarquia em 1889 e assenhorearam-se do Estado brasileiro.  Na economia, o país vivia o auge do Ciclo do Café (1800-1930) e, diferentemente do que é divulgado, inclusive como uma das causas da queda de D. Pedro II, não houve falta de mão de obra em virtude da abolição da escravatura (1888), uma vez que o governo imperial adotara preventivamente, desde 1870,  agressiva política de imigração. Ora, a conjunção da oferta brasileira de trabalho e do desemprego na Itália resultou no translado de milhares de italianos para o Brasil. Com os colonos, maioria absoluta dos que aportaram, sobretudo em São Paulo e no Rio de Janeiro, chegaram intelectuais, artistas, muitos pintores e profissionais liberais dispostos a “fazer a América”.

Quanto aos pintores, radicaram-se no Brasil, onde instalaram ateliês, atraídos pelo promissor mercado consumidor de arte, ou o visitaram de passagem, a convite de políticos influentes na área cultural (os senadores José Freitas Valle e Pádua Salles, entre outros), da Pinacoteca do Estado de São Paulo (2) ou dos barões do café que lhes encomendavam obras e retratos.  O Brasil, ademais, não era desconhecido na Itália, pois a imperatriz Teresa Cristina, princesa das Duas Sicílias, era napolitana e, naturalmente,  favoreceu a imigração italiana.  Por outro lado,  Giuseppe Garibaldi (1807 – 1882), prócer da unificação italiana, ao participar da Revolução Farroupilha (1835-1845) e casar-se com a brasileira Anita, sua companheira de lutas, criou para o Brasil uma aura romântica e aventureira.

A presente exposição, em homenagem ao Professor Vicente Perez Carrascosa, saudoso e inolvidável sócio fundador da empresa, e comemorativa do 7º aniversário de Perez & Prado Antiquários, é fruto de cuidadoso empenho em selecionar obras representativas, de qualidade, mas acessíveis, tendo em vista a crise econômica que atravessamos.  Tenho, assim, o prazer de apresentar trabalhos de alguns dos principais pintores italianos que enriqueceram este país com sua arte e seus ensinamentos, uma vez que muitos lecionaram em instituições nacionais, no mencionado período.  Espero que apreciem a diversidade de estilos e expressões, cujo traço comum é terem sido criados por  expatriados voluntários, em busca de inspiração e melhores condições de vida, todos dignos de figurar nos mais importantes acervos públicos e particulares de Brasília.

Brasília, 25 de novembro a 23 de dezembro de 2016

Ney do Prado Dieguez, sócio administrador de Perez & Prado Antiquários

  1. “Nós fizemos a Itália: agora temos que fazer os italianos” (D’Azeglio).
  2. A Pinacoteca do Estado de São Paulo possui o maior acervo de obras de pintores italianos que trabalharam no Brasil, permanentemente ou de passagem, nos séculos XIX e XX.

Bibliografia

  1. Pintores Italianos no Brasil, Velloso, Augusto Carlos F. (pesquisa e textos); Sociedade dos Amigos de Arte de São Paulo; Governo do Estado de São Paulo, Secretaria de Estado da Cultura; RTC- Rádio e Televisão Cultura; Pinacoteca do Estado; Edição Fundação Padre Anchieta; São Paulo, abril/1882.
  2. Tarasantchi, Ruth Sprung; Pintores Paisagistas, São Paulo 1890 –  1920; Editora da Universidade de São Paulo, Imprensa Oficial do Estado;  São Paulo, 2002.
  3. Chiarelli, Tadeu; Um Jeca nos Vernissages; Editora EDUSP; São Paulo, 1995.
  4. Santos, Miriam de Oliveira; A Imigração Italiana para o Rio Grande de Sul no Final do Século XIX; artigo publicado na edição nº 9, de abril de 2006, na Revista Histórica do Arquivo Público do Estado de São Paulo.
  5. Pitta, Fernanda; Pintores Italianos em São Paulo – O Caso da Culla Tragica de Guiseppe Amisani; 19&20, Rio de Janeiro, v. III, n. 2, abr. 2008.
  6. Catálogo da exposição de 23 obras (anos 40/80) de Danilo Di Prete, comemorativa do 3º Aniversário da Galeria Ricardo Camargo, Rua Frei Galvão, 121 – São Paulo, SP, em 27 de outubro de 1998.
  7. Visitas à Pinacoteca do Estado de São Paulo e entrevistas com seus diretores e funcionários.