Quando a vi pela primeira vez, na parede de uma galeria de arte em Frankfurt, Alemanha, pensei tratar-se de uma latino-americana, preferentemente mexicana e, possivelmente, brasileira.  Ao buscar, na assinatura do autor do quadro, um nome espanhol ou português, fui surpreendido ao me deparar com um PAGOWSKI datado de 1944 (ano em que nasci).  Entrei e a comprei, de imediato.

Zdzislaw Pagowski nasceu em Lowicz, Polônia, em 1909, e faleceu em Varsóvia, em 1976.  Em 1929, ingressou na Escola de Belas Artes e, em 1934, na Academia de Belas Artes, ambas de Varsóvia.  Em 1945, ganhou em concurso o encargo de erigir um monumento em Lowicz, sua cidade natal.  Realista pós-impressionista e colorista, do que o retrato (79,5 X 59,5 cm) ora apresentado por Perez & Prado Antiquários é um excelente exemplo, Pagowski é um dos artistas plásticos modernos da Polônia mais bem representados em museus do seu país (Lowicz, Varsóvia, Gorzow Wielkopolski, Plock , Sieradz e Bydgoszcz), possuindo obras em outros museus europeus e coleções particulares. Em 2009, por ocasião do seu centenário, o Museu de Lowicz promoveu uma retrospectiva de seus trabalhos.

Vale mencionar, ainda, que a moldura do quadro, conforme selo colocado no reverso, foi executada por Hermann Reichart, um dos mais famosos moldureiros da Alemanha, cujo ateliê se encontra em Wiesbaden.

Em tempo:  como não foi possível identificar a modelo, continuo imaginando tratar-se de uma prima de Frida Kahlo, até porque uma polonesa, em pleno pós-guerra, diante de um país devastado, dificilmente ostentaria um olhar tão desafiador, confiante e empoderado.

Ney Prado, curador de arte e antiguidades