A unificação da Itália, oficialmente declarada em 1861, provocou, no final do século XIX, grave crise resultante das guerras de conquista dos territórios independentes, da confrontação entre o norte industrial e o sul agrícola e da decadência da produção artesanal. As consequências foram desemprego e pauperização,

o que fez da novel Itália um dos mais pobres e populosos países da Europa. No Brasil,  o período foi também de turbulência política, marcado por crises artificialmente urdidas por grupos que golpearam a monarquia em 1889 e assenhorearam-se do Estado brasileiro.  Na economia, o país vivia o auge do Ciclo do Café (1800-1930) e, apesar da abolição da escravatura (1888), não houve falta de mão de obra, uma vez que o governo imperial adotara preventivamente, desde 1870,  agressiva política de imigração. Ora, a conjunção da oferta brasileira de trabalho e do desemprego na Itália resultou no translado de milhares de italianos, trabalhadores rurais, artistas, intelectuais, profissionais liberais, etc., para o Brasil, dispostos a “fazer a América”.

Pintor, paisagista e retratista, Antonio Rocco (Amalfi, 1880 – São Paulo, 1944) chegou, assim, a São Paulo, em 1913. Tendo frequentado o Instituto de Belas Artes de Nápoles (aluno de Morelli e Palizzi) de 1899 a 1905, Rocco participou, em 1908, da Bienal de Turim.  Em 1914, ao apresentar seus primeiros trabalhos no Brasil, mereceu, num golpe de sorte,  elogioso  artigo  em O Estado de São Paulo, por iniciativa do diretor do jornal, Nestor Pestana, que o projetou, entre seus conterrâneos, como o pintor  favorito de colecionadores particulares e da Pinacoteca do Estado de São Paulo, fundada em 1905, que passou a adquirir suas obras, expostas, até hoje, no mais antigo museu de Arte da cidade de São Paulo. Inicialmente, Rocco construiu sua reputação com a pintura de temáticas sociais: o êxodo de trabalhadores rurais, resultante da situação econômica italiana, a família camponesa que carrega seus pertences – cestas, trouxas, instrumentos de trabalho etc.

Contudo, dedicou-se, no final da sua carreira, à paisagem, à pintura de gênero e, sobretudo, a retratar a burguesia emergente paulistana, retornando, raramente, à temática que o consagrou, da qual a obra que Perez & Prado Antiquários ora apresenta é um raro exemplar.

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“Camponesas”; Rocco, Antonio (Amalfi, 1880 – São Paulo, 1944); pós-impressionista; primeiro quartel do século XX, São Paulo; óleo sobre tela; assinado do canto inferior esquerdo; 48 X 61cm; acervo Perez & Prado.