As “Eclipses”*

É sempre gratificante deparar, em garimpagens por leilões de antiguidades, com peças que, há muito tempo, lhe causaram impacto, mas que você, por algum motivo, deixou de comprar.  Foi o caso do par de luminárias de mesa “Eclipse”, desenhadas e produzidas pelo engenheiro mecânimo Maurício Klabin,  descendente da família lituana Klabin que chegou ao Brasil em 1889 e, em 1890, fundou a M.F.Klabin & Irmão, atualmente Klabin Irmãos & Cia., a maior produtora e exportadora de papéis do Brasil.

A história da criação da “Eclipse” é curiosa.  Maurício Klabin, que se formou, em 1976, na Universidade Gama Filho, e foi fotógrafo e jornalista (Jornal do Brasil),  abriu, no início da década de 1980, em sociedade com seu irmão, Leonardo Klabin, a MecPrec, fabricante de produtos plásticos de alta tecnologia para a propagação de mudas de plantas. Aproveitando a capacidade instalada da empresa, criou, em 1982, a “Eclipse” que logo passou a  integrar a coleção permanente do Museu de Arte Moderna (MoMa) de Nova York.

Devidamente restauradas por Pitagoras Baptista, o gênio das luminárias de Brasília, as “Eclipses” consistem em anéis brancos de polipropileno móveis e justapostos em círculo que, ao serem manipulados, assumem o formato de um caracol, cujo grau de abertura orienta e controla a intensidade da luz interior.  Os suportes, delicadas e elegantes estruturas negras de metal,  possuem pequenos discos que, deslocados, permitem ajustar a luminária em várias posições.  A peça, que mede 32 X 36 cm, guarda semelhança com a “Moon Lamp” desenhada, em 1960, por Verner Panton, onde os anéis, no entanto, são justapostos com intervalos entre uns e outros.

Encontrar e adquirir um par original de “Eclipses” é um feito raro que Perez & Prado oferece aos amigos e clientes.

*Por referir-se a luminárias, utilizo a palavra no feminino.